Manoel Cândido, dirigente sindical e ex-presidente da FETARN faleceu nesta terça-feira (1º). O movimento sindical do RN homenageia sua trajetória de lutas
NATAL/RN — O movimento sindical potiguar e a agricultura familiar do Rio Grande do Norte perderam, nesta terça-feira (1º), uma de suas vozes mais incansáveis. Faleceu o companheiro de incansáveis lutas Manoel Cândido, agricultor familiar, colono na Serra do Mel e ex-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Norte (FETARN) por três gestões.
Sua trajetória, marcada pela defesa intransigente da reforma agrária e dos direitos dos trabalhadores do campo, deixa um legado inestimável para a classe trabalhadora potiguar.
Uma vida dedicada à terra e ao trabalhador rural
A história de Manoel Cândido se confunde com a própria organização da luta camponesa no estado. Nascido no município de Angicos, deu seus primeiros passos no sindicalismo ainda em 1973, como delegado sindical na comunidade rural de Alagoinha, em Mossoró. A partir dali, sua liderança e compromisso com a organização de base o projetaram no debate estadual sobre o direito à terra e o fortalecimento do trabalho rural.
Em 1992, o reconhecimento de seus companheiros de base o levou à presidência da FETARN pela primeira vez — cargo para o qual retornaria por mais duas gestões, somando três mandatos na condução da entidade, além de ter exercido papel relevante no Conselho Fiscal da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).
*Memória das lutas: "Os direitos sociais estão sendo tratorados"
Para homenagear seu legado de combate na linha de frente, resgatamos trechos da entrevista concedida por Manoel Cândido ao site da CUT-RN em junho de 2019, (com texto original de Joan Pedro e registros fotográficos de Wlademir Alexandre). Na ocasião, em meio aos debates sobre as reformas estruturais que ameaçavam o campo, o líder sindical conclamava a base para as ruas e alertava sobre o desmonte da seguridade social:
"Os direitos sociais estão sendo 'tratorados' [...]. Portanto, o dever da federação e da nossa base é lutar pela garantia das regras da previdência rural, que assegura ao trabalhador seus direitos mínimos, como o de poder se aposentar aos 60 anos (homem) e 55 anos (mulher)." — Manoel Cândido (1950-2026)
Naquele momento de forte mobilização, Manoel liderou as caravanas e articulações da FETARN ao lado dos polos sindicais do Seridó, Vale do Açu, Mato Grande, Potengi e Litoral, garantindo que a voz do campo ecoasse nos grandes atos da classe trabalhadora.
A Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (CUT-RN) manifesta sua solidariedade à família, amigos e aos companheiros e companheiras de luta da FETARN.
Manoel Cândido, presente! Hoje e sempre.