Dirigentes de centrais sindicais brasileiras, incluindo a CUT, participam de intercâmbio de 11 dias promovido pela JILAF em Tóquio
Com o objetivo de trocar experiências sobre o mundo do trabalho e atualizar o programa de formação da Fundação Internacional Laboral (JILAF) — ligada à Rengo, principal central sindical do Japão —, dirigentes sindicais de várias partes do mundo realizam um intercâmbio de 11 dias, de 28 de julho a 7 de agosto, em Tóquio.
Nesta edição, o programa ampliou a representatividade com foco na participação de mulheres e jovens. A delegação latino-americana conta com representantes de Brasil, Chile, Colômbia, México e Argentina. Pelo Brasil, participam seis dirigentes, sendo dois indicados pela CUT, dois pela UGT e dois pela Força Sindical. Da CUT-RN participa Irailson Nunes, presidente.
Cooperação e Diálogo Global
O Programa Convite é uma iniciativa em cooperação com o Ministério do Trabalho Japonês que ocorre há 30 anos. Ao todo, mais de duas mil lideranças sindicais globais — incluindo 123 do Brasil — já passaram pela experiência de conhecer de perto as relações de trabalho de uma das principais economias mundiais.
A Japan International Labour Foundation (JILAF), ONG fundada em 1989 pela Rengo, atua para promover a cooperação internacional no setor laboral, o diálogo social e o fortalecimento de movimentos sindicais justos em países em desenvolvimento.
Programação e Vivência Prática
Durante os dias de atividade, a agenda inclui debates, mesas de diálogo e espaços para a troca de vivências sobre a realidade da classe trabalhadora japonesa. A programação também prevê uma viagem de dois dias a uma província local, onde os sindicalistas visitarão uma fábrica de moedas e serão recebidos oficialmente pelo vice-governador regional.
Em 2020, a atividade aconteceu em São Paulo, no Brasil. Para o secretário de Relações Internacional da CUT, Antonio Lisboa, “Esta troca é muito importante, não só para os trabalhadores brasileiros. Além de trocar experiências e suas vivências na luta da classe trabalhadora, avaliamos o que é positivo no Japão e o que podemos aplicar por aqui. E a mesma do lado japonês. Eles valorizam as experiências de outros países e analisam o que dá para aplicar no Japão do ponto de vista cultural e laboral”, afirmou Lisboa.
"Essa troca de experiências internacionais é fundamental para fortalecermos a luta da classe trabalhadora brasileira. Conhecer a realidade e as conquistas dos sindicatos no Japão nos dá subsídios valiosos para avançarmos na defesa dos nossos direitos, na valorização do diálogo social e na ampliação da participação de jovens e mulheres nos espaços de decisão", destaca Irailson Nunes, presidente da CUT-RN.
O intercâmbio histórico também já gerou frutos práticos na legislação internacional e nacional. Um exemplo foi a importação do modelo japonês de limite para o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) a altos executivos de bancos de investimento, estabelecendo um teto em relação ao benefício pago aos trabalhadores de base.