Com foco na Lei de Igualdade Salarial, curso do Ministério das Mulheres reuniu 100 dirigentes em Brasília para incluir pautas de gênero nos acordos
Entre os dias 29 de junho e 2 de julho de 2026, Brasília sediou o 2º Módulo do Curso Nacional de Negociação Coletiva e Igualdade de Gênero no Mundo do Trabalho.
Promovido pelo Ministério das Mulheres — por meio da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica (SENAEC) — em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o evento reuniu 100 mulheres dirigentes sindicais de todo o Brasil no Auditório do Detran-DF.
O principal objetivo da formação foi capacitar as lideranças de diferentes categorias e centrais sindicais para intervir diretamente nas mesas de negociação, assegurando que a perspectiva de gênero seja parte estruturante das convenções e dos acordos coletivos. O foco central das atividades esteve na aplicação prática e na fiscalização da Lei de Igualdade Salarial, além do fortalecimento da presença feminina nos espaços de decisão, na construção de cláusulas de combate ao assédio e no enfrentamento à discriminação no ambiente corporativo.As atividades foram coordenadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp.
De acordo com o balanço do mercado de trabalho divulgado pelo Dieese em 2026, as mulheres brasileiras ainda enfrentam uma desigualdade salarial histórica, recebendo, em média, 22% menos que os homens no país — uma disparidade que se acentua mesmo em setores com alta escolaridade e cargos de liderança. O estudo reforça que a negociação coletiva é a ferramenta mais ágil para transformar essa realidade e tirar as leis de igualdade do papel.*
Gildenia Freitas, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RN, destacou a relevância estratégica do encontro para o dia a dia das bases:"O 2° módulo do curso de Negociação Coletiva para mulheres dirigentes nos proporcionou ferramentas para qualificar o diálogo em uma mesa de negociação. Ainda precisamos avançar muito nas leis, pois muitas vezes as pautas são negociadas, mas não são cumpridas pelos patrões."
Além dos debates técnicos, a programação contou com uma forte agenda política.
No dia 30 de junho, as dirigentes sindicais marcaram presença no Palácio do Planalto durante o lançamento do novo Plano Safra para a agricultura familiar. Na ocasião, as lideranças foram recebidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um momento que reforçou a importância da articulação direta entre o movimento sindical e o governo federal para a construção de políticas públicas voltadas à igualdade e à justiça social.
*Boletim Especial 8 de Março de 2026 – "As múltiplas formas de violência contra a mulher"