MENU

RN: Encontro de Mulheres da CUT fortalece a luta por direitos e homenageia pioneira

Evento debateu segurança pública, assinatura de Carta Compromisso pela vida das mulheres e entregou a Comenda Vilma Aparecida à lideranças sindicalistas do RN

Publicado: 21 Agosto, 2026 - 13h34 | Última modificação: 21 Agosto, 2026 - 14h18

Escrito por: Concita Alves

Foto: Concita Alves
notice

A Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (CUT-RN) e o Coletivo de Mulheres da entidade realizaram, no último dia 20 de agosto, em Natal, um histórico Encontro de Mulheres Trabalhadoras do RN. O evento se consolidou como um espaço fundamental de debate, formação política e fortalecimento da organização da classe trabalhadora no combate às desigualdades e na garantia de uma vida digna para as trabalhadoras.

Organizado pela secretária de Mulheres, Gildênia Freitas, pela secretária-geral, Elaine Bandeira, e pela secretária de Formação, Ivone Oliveira, o encontro reuniu lideranças comunitárias, dirigentes sindicais e representantes políticas de todo o estado. A programação cultural contou com o recital poético e a performance da artista Idyane França.

A luta por direitos das mulheres é um dos pilares históricos da Central Única dos Trabalhadores, que atua de forma permanente na defesa da igualdade salarial, no combate ao assédio no ambiente de trabalho e na valorização das trabalhadoras do campo e da cidade. Para a CUT, a organização política das mulheres e o fortalecimento do feminismo comunitário e sindical são indispensáveis para superar o machismo estrutural, além de garantir direitos trabalhistas, justiça social e autonomia econômica para toda a classe trabalhadora. As mulheres ajudaram a construir um sindicalismo baseado na autonomia, na liberdade de organização e na defesa dos direitos da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, enfrentavam uma desigualdade que atravessava o mercado de trabalho, a vida familiar, a sociedade e o próprio movimento sindical.

"Estar ao lado das mulheres foi reafirmar a luta e a memória de Vilma Aparecida, que dedicou sua vida à classe trabalhadora. Hoje, quando o DIEESE nos mostra que a desigualdade salarial e a sobrecarga de trabalho ainda afetam diretamente a vida das mulheres, honrar o legado de Vilma significa erguer nossa bandeira por equiparação de direitos, justiça social e, acima de tudo, pela vida das mulheres e meninas. Vilma Aparecida foi uma pioneira e uma referência para as mulheres do Brasil. Sua história vive em nós e seguiremos defendendo seu legado. Vilma Aparecida, presente!"

Segurança pública e proteção às mulheres
No turno da tarde, os debates se voltaram para a mesa "Do Enfrentamento à Proteção: O Papel das Forças de Segurança no Combate às Violências contra as Mulheres e na Garantia de Direitos", com as palestrantes: delegada Sheila Freitas e a integrante da Patrulha Maria da Penha, Albeni Arruda de Oliveira, que abordaram os caminhos e desafios no combate à violência de gênero e na construção de redes efetivas de proteção.

Compromisso político com a vida
Durante a atividade, parlamentares comprometidas com a pauta feminista e com a defesa dos direitos humanos assinaram uma Carta Compromisso Pela Vida das Mulheres. O ato contou com a presença dos mandatos populares da deputada federal Natália Bonavides, das deputadas estaduais Divaneide Basílio e Isolda Dantas, e das vereadoras Brisa Bracchi e Marleide Cunha, além de entidades do movimento de mulheres, Aldemir Lemos ("O Velho" ex-presidente da CUT-RN) e de familiares de Vilma Aparecida.
Comenda Vilma Aparecida celebra o protagonismo feminino
Criada pela secretária estadual de mulheres, Gildênia Freitas, a Comenda Vilma Aparecida tem como objetivo homenagear mulheres que dedicam suas vidas à defesa dos direitos trabalhistas e à melhoria das condições de trabalho das categorias no estado.
Nesta edição, a honraria foi concedida a ex-secretárias de Mulheres da CUT-RN que deixaram um legado de lutas e conquistas: Francisca Nina (SINDISERPUMC / Caraúbas-RN), Janeayre Souto (SINSP-RN), Eliete Vieira (SINDSERPUM / Mossoró-RN) e Gildênia Freitas (STTR / Poço Branco-RN).

MEMÓRIA SINDICAL
Vilma Aparecida

Vilma Aparecida é referência de pioneirismo e firmeza na luta pela emancipação das mulheres. Natural de Ituiutaba (MG), chegou a Natal aos 10 anos de idade e construiu uma trajetória exemplar no Rio Grande do Norte, tornando-se a primeira mulher a presidir a CUT-RN, a primeira presidenta do Sindicato dos Comerciários do RN após a redemocratização e a primeira mulher a integrar a Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ao lado de Aldemir Lemos, Régis Cortez, Raimundo Viturino, Rubens Lins, Crispiniano Neto e Luiz Alves, a chamada velha guarda sindical, Vilma deu uma nova dimensão ao sindicalismo potiguar, atuando na retomada de sindicatos no campo e na cidade e na fundação da CUT no estado.

Sua atuação foi marcada pela coragem. Liderou greves históricas, como a ocupação do Hotel Ducal, na Cidade Alta — episódio marcante em que os trabalhadores acamparam na Praça Kennedy e fecharam as portas do hotel (fazendo com que até o cantor Nelson Gonçalves tivesse de ser reacomodado no Hotel Reis Magos).

Em 1995, mesmo grávida, liderou uma grande greve e respondeu ao vivo na TV a uma piada machista de um apresentador alinhado ao antigo regime, que sugeriu que ela deveria estar em casa. A resposta de Vilma virou lema: "Lugar de mulher é na luta".
Educadora popular, cientista social formada pela UFRN e fundadora do Fórum Potiguar de Economia Solidária, Vilma também dirigiu a Escola de Formação Nacional da CUT, sendo reconhecida como um dos maiores quadros da história do movimento sindical potiguar.