Escrito por: Concita Alves

Natal: com o pior salário entre as 10 maiores cidades do RN, educação aprova greve

Sem avanço nas negociações com a Prefeitura, professores(as) e educadores(as) infantis iniciam paralisação no dia 6 de agosto por valorização e dignidade salarial

Os professores(as) e educadores(as) infantis da Rede Municipal de Natal aprovaram em Assembleia Geral a deflagração de greve por tempo indeterminado, nesta segunda-feira (3). Segundo o sindicato, o percentual reivindicado representa uma recomposição imediata diante de perdas salariais acumuladas que chegariam a 60%.

A decisão é uma resposta direta ao cenário de desvalorização enfrentado pela categoria, que atualmente amarga o pior salário para profissionais da educação entre os dez maiores municípios do Rio Grande do Norte.

O movimento paredista terá início oficial na próxima quinta-feira, 6 de agosto, com uma grande mobilização nas ruas da capital potiguar.
“A paralisação foi aprovada após a categoria avaliar a estagnação e a falta de avanços nas negociações com o executivo municipal. O Sinte-RN reafirma que a greve é o instrumento legítimo de luta para garantir direitos, respeito ao trabalhador e assegurar melhores condições para a educação pública de Natal”, destaca Eliane Bandeira, dirigente do SINTE-RN e coordenadora pedagógica da Escola Sindical Nordeste Marise Paiva de Morais.

A categoria apresentou uma pauta de reivindicações cobrando respostas efetivas da gestão municipal para as seguintes demandas:
* Reposição das perdas salariais;
* Unificação das carreiras;
* Isonomia salarial;
* Melhores condições de trabalho.

Foto: Lenilton Lima

ENCAMINHAMENTOS DA ASSEMBLEIA
- Ato público de greve: Deflagração no dia 6 de agosto, a partir das 8h, em frente à Prefeitura do Natal;
- Diálogo com a sociedade: Elaboração e distribuição de carta-informe para pais, mães e a comunidade escolar sobre os motivos da paralisação;
- Organização estrutural: Reunião do Comando de Greve no dia 11 de agosto, nos turnos da manhã e da tarde;
- Mobilização digital: Ações coordenadas nas redes sociais para dar visibilidade à pauta da educação;
- Sustentação da luta: Criação de um fundo de apoio financeiro para a greve.

NATAL PAGA O PIOR SALÁRIO PARA PROFESSORES(AS) ENTRE AS DEZ MAIORES CIDADES DO ESTADO


A capital potiguar ocupa a pior posição no ranking de valorização do magistério entre as dez maiores cidades do Rio Grande do Norte. É o que revela um novo levantamento sobre a remuneração média da categoria, elaborado durante as discussões do Plano Estadual de Educação. Mais do que estatísticas, os dados oficializam uma dura realidade já vivenciada no chão da escola: a consolidação de uma política sistemática de desvalorização das professoras e professores no município de Natal.

A constatação tem respaldo técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Com base em informações oficiais extraídas da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o estudo aponta que Natal paga a menor remuneração média aos profissionais da educação quando comparada aos outros nove maiores municípios do estado. Atualmente, o valor médio recebido pelos docentes na capital é de apenas R$ 4.458,74.

Para o movimento sindical, o levantamento do DIEESE traduz em números o impacto sentido nos contracheques e denunciado ativamente pela categoria em sua Campanha Salarial. O estudo comprova que a defasagem salarial de 60% achatou drasticamente a renda dos profissionais, colocando Natal na "lanterninha" do reconhecimento educacional.

Ttabela completa com o comparativo das remunerações médias docentes nas dez maiores cidades do estado:
Município | Remuneração Média (R$)
| São José de Mipibu | 17.902,35 |
| Extremoz | 9.536,27 |
| São Gonçalo do Amarante | 7.575,33 |
| Assú | 7.107,45 |
| Parnamirim | 6.410,03 |
| Macaíba | 5.949,27 |
| Caicó | 5.837,09 |
| Ceará-Mirim | 5.356,81 |
| Mossoró | 4.759,93 |
| Natal | 4.458,74 |


Fonte: MTE / RAIS. Elaboração: DIEESE