Morre Amelinha Teles símbolo da resistência contra ditadura e defensora das mulheres
Militante histórica e referência dos direitos humanos faleceu nesta terça (15). Velório ocorre quarta (16) em SP
Publicado: 15 Setembro, 2026 - 12h39 | Última modificação: 15 Setembro, 2026 - 12h50
Escrito por: concita alves
Morreu nesta terça-feira (15) a jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles. Militante histórica contra a ditadura militar e referência do movimento feminista no Brasil, Amelinha foi presa e torturada pelo regime autoritário e dedicou toda a sua vida à defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.O velório será realizado nesta quarta-feira (16), das 12h às 17h, no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo (SP).
Nascida em Contagem (MG), iniciou sua militância na juventude e atuou na resistência clandestina contra a ditadura pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada à Operação Bandeirantes (Oban) e ao DOI-Codi, onde sofreu bárbaras sessões de tortura física e violência sexual, praticadas pelo torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na ocasião, seus filhos, Edson e Janaína, com apenas quatro e cinco anos, também foram sequestrados e levados ao centro de repressão para verem os pais brutalizados.
Gildênia Freitas, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RN destacou a importância de Amelinha para as Mulheres:
"A partida de Amelinha deixa um vazio imenso, mas sua trajetória de coragem é farol para todas nós mulheres. Ela nos ensinou que a luta pela democracia e pela vida das mulheres é uma só. Projetos como as Promotoras Legais Populares e sua atuação na Constituinte transformaram a realidade das trabalhadoras brasileiras. Amelinha presente, hoje e sempre!”
Trajetória de luta e conquistas para as mulheres
Após a prisão política, Amelinha transformou a dor em luta inegociável. Dedicou a vida à memória dos mortos e desaparecidos políticos e ao fortalecimento da organização feminista:
* União de Mulheres de São Paulo: Fundou a entidade em 1984.
* Lobby do Batom (Constituinte de 1988): Atuou decisivamente para garantir a igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição Federal.
* Promotoras Legais Populares (PLPs): Idealizou em 1994 a formação jurídica popular para mulheres periféricas e comunitárias, projeto expandido para todo o país.
Em 2005, a família Teles moveu uma ação histórica contra Brilhante Ustra. A vitória veio em 2008, quando Ustra tornou-se o primeiro agente do Estado brasileiro a ser oficialmente reconhecido pela Justiça como torturador da ditadura, decisão confirmada pelas instâncias superiores.
Amelinha também atuou como assessora da Comissão da Verdade de SP “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Homenagens e legado
Autora de obras fundamentais como “Breve história do feminismo no Brasil” e “O que é violência contra a mulher”, Amelinha lançou recentemente o livro de ficção “Contos da cela três: Memórias de uma presa política na ditadura”, resgatando memórias do período em que esteve encarcerada.
Amelinha Teles presente, hoje e sempre!