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Famílias de vítimas da Ditadura recebem certidões de óbitos corrigidas em Natal

Solenidade na UFRN entrega certidões de óbito corrigidas aos familiares de 12 ativistas potiguares mortos pela ditadura militar, substituindo registros falsos e restabelecendo a verdade

Publicado: 11 Junho, 2026 - 13h03 | Última modificação: 11 Junho, 2026 - 13h26

Escrito por: Concita Alves

FOTO: Concita Alves
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No próximo dia 15 de junho, a cidade de Natal (RN) será palco de um ato histórico de reparação, memória e verdade. As famílias de doze ativistas políticos mortos durante o regime militar receberão as certidões de óbito de seus entes queridos com as devidas correções institucionais.
A solenidade é aberta e acontece nesta segunda-feira, 15 de junho, às 18h, no auditório da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A iniciativa é do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) em conjunto com a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).


A presidenta do Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte, Jana Sá, pontua que a entrega dos documentos representa muito mais do que uma simples correção burocrática.
“É um ato de reparação histórica e de reconhecimento da verdade. Durante décadas, familiares de mortos e desaparecidos políticos conviveram não apenas com a dor da perda, mas também com versões falsas produzidas pelo próprio Estado para ocultar crimes cometidos durante a ditadura militar”, aponta.
“Cada certidão retificada reafirma que essas mulheres e homens não morreram por acaso. Foram vítimas da perseguição política de um regime que violou direitos, perseguiu opositores, torturou, matou e fez desaparecer cidadãos brasileiros. Reconhecer isso oficialmente é um dever democrático”, afirma Jana Sá.

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A iniciativa substitui os registros forjados na época pela causa real dos falecimentos: morte violenta decorrente de perseguição do Estado. Nesta edição, serão entregues as certidões às famílias de Anatália Alves, Edson Neves, Emmanuel Bezerra, Gerardo Magela, Hiram Pereira, José Silton, Lígia Nóbrega, Luiz Gonzaga, Luiz Maranhão, Sebastião Gomes, Virgílio Gomes e Zoé Brito — ativistas de movimentos de resistência que foram assassinados ou desaparecidos pela repressão.
O evento representa um passo fundamental na consolidação do direito à memória e na reparação histórica, reafirmando o compromisso com o reconhecimento das violências cometidas pelo Estado brasileiro no passado. A ditadura militar foi um regime que perseguiu, prendeu, torturou e assassinou trabalhadores, estudantes e lideranças populares, ao mesmo tempo em que aprofundou desigualdades no país.
A ação ecoa o lema central dos movimentos de direitos humanos: “Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça”.
*Serviço: Solenidade de entrega de certidões de óbito retificadas de vítimas da ditadura militar
* Quando:Segunda-feira, 15 de junho, às 18h
*Onde:Auditório da Reitoria da UFRN, Natal (RN)