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Atos no RN e no país pressionam Senado pelo fim da escala 6x1 neste domingo (30)

Mobilização em Natal reúne centrais e movimentos sociais em caminhada na Zona Sul para exigir aprovação da PEC. Relator da PEC diz que texto irá à votação dia 2/9, na CCJ

Publicado: 27 Agosto, 2026 - 11h46 | Última modificação: 27 Agosto, 2026 - 12h05

Escrito por: Concita Alves

FOTO: Jefferson Miranda
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Trabalhadores de todo o país voltam às ruas neste domingo (30) por uma transformação histórica nas relações de trabalho no Brasil. A mobilização nacional busca pressionar o Senado Federal a aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), que extingue a escala 6x1 e estabelece a redução da jornada sem qualquer corte salarial.

No Rio Grande do Norte, a caminhada em Natal terá concentração a partir das 9h, na calçada do Ferreira Costa, de onde os manifestantes seguem em percurso até o Ponto 7, na Cigarreira do Gil.

A atividade é convocada pela Frente Brasil Popular, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-RN) e demais centrais sindicais (CTB, CSP-Conlutas, Intersindical, NCST, Pública, Força Sindical e Fórum das Centrais), ao lado do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), da Frente Povo Sem Medo e organizações sociais.

Saúde da classe trabalhadora e giro na economia
O Fim da Escala 6x1 por um modelo que assegure dois dias de descanso semanal é vista pelas entidades organizadoras como uma medida urgente de saúde pública. A rotina de seis dias contínuos de trabalho está no centro do aumento de casos de esgotamento profissional, ansiedade e acidentes de trabalho provocados pela exaustão. A proposta devolve ao trabalhador o direito ao convívio familiar, ao estudo e ao lazer.

"Não estamos falando apenas de números ou de horas no relógio, estamos falando do direito à vida, ao descanso, ao estudo e à convivência familiar. A escala 6x1 adoece física e mentalmente quem produz a riqueza deste país. Domingo será o momento de Natal somar sua voz à mobilização nacional para exigir que o Senado aprove a PEC imediatamente", destaca a coordenadora da Frente Brasil Popular, Eliane Bandeira.


Do ponto de vista econômico, a mudança aponta para um ciclo virtuoso. Além de aumentar a produtividade — efeito comprovado em experiências de redução de jornada —, o tempo livre adicional impulsiona setores vitais como comércio, supermercados, turismo, cultura e gastronomia.

"O Senado precisa ouvir o recado das ruas. A matéria está na CCJ e não pode ser engavetada nem desidratada para atender aos interesses patronais. Os senadores do Rio Grande do Norte e de todo o Brasil têm o dever de votar a favor da vida dos trabalhadores. Nossa caminhada no domingo em Natal é para mostrar a força e a unidade da classe trabalhadora potiguar", destaca o presidente da CUT-RN, Irailson Nunes. Paralelamente, a adequação dos quadros operacionais à nova escala tende a induzir a abertura de novos postos de trabalho formais.

Como pressionar 

Pelo celular, tablet ou computador, você pode mandar seu recado para os senadores pela plataforma Na Pressão, da CUT. AQUI

Reta final no Senado: entenda a tramitação
Aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio, a PEC seguiu para o Senado e foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, na última sexta-feira (21). A expectativa é de que o texto seja apreciado pelo colegiado no dia 2 de setembro.

Para que a alteração constitucional seja promulgada, o texto precisa passar pela CCJ e obter o apoio de ao menos 48 dos 81 senadores, em dois turnos no Plenário, antes de seguir para a sanção presidencial.

A proposta estabelece uma transição progressiva para a implementação total:
60 dias após a promulgação: passa a vigorar a escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5x2), reduzindo o limite semanal de 44 para 42 horas.
Após 14 meses: a carga horária se fixa definitivamente em 40 horas semanais, com dois dias de descanso por semana — preferencialmente aos domingos. O texto preserva integralmente os contratos que já praticam jornadas iguais ou inferiores a 40 horas.